União Europeia aprova acordo com Mercosul

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União Europeia aprovou acordo com Mercosul, abrindo caminho para zona comercial ampla, apesar da oposição francesa

A União Europeia aprovou nesta sexta-feira um tratado comercial com o Mercosul que pode mudar a relação entre a Europa e os países da América do Sul após mais de 25 anos de negociações.

A decisão foi tomada por maioria qualificada de embaixadores dos 27 Estados-membros reunidos em Bruxelas, abrindo caminho para que o pacto seja assinado já na próxima semana entre os blocos.

O acordo é considerado o maior já firmado pela UE em termos de redução de tarifas e cria uma ampla zona de comércio que envolve cerca de 780 milhões de pessoas.

Enquanto o texto segue para possíveis ratificações no Parlamento Europeu e nas legislaturas nacionais, a medida já provoca reações distintas entre setores políticos e produtivos.

A proposta reduz tarifas sobre bens industriais europeus como carros, máquinas e produtos farmacêuticos e concede maior acesso ao mercado europeu para itens agrícolas e industriais do Mercosul, como carne, açúcar e etanol.

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Dentro da UE, a votação final não estava garantida até poucas horas antes da aprovação no encontro de Bruxelas. Países como França e Irlanda anunciaram que vão votar contra, manifestando preocupação com os efeitos sobre os seus agricultores.

Produtores europeus reclamam que a entrada de mais produtos sul-americanos, especialmente carnes, pode pressionar preços e dificultar competir sob regras diferentes de produção.

Às vésperas da votação do acordo, agricultores intensificaram protestos com bloqueios de estradas na França, na Bélgica e na Polônia.

Em Paris, tratores ocuparam vias centrais e sindicatos rurais pressionaram o governo contra a abertura comercial. Os manifestantes afirmam que o pacto amplia a concorrência e afeta preços e renda no campo.

A mobilização ganhou força nas redes e na imprensa europeia. Mesmo assim, os atos não alteraram o resultado final em Bruxelas. Líderes franceses qualificaram as garantias oferecidas até agora como insuficientes e prometem reagir.

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Ao mesmo tempo, países como Alemanha e Espanha destacaram potenciais ganhos para suas exportações e indústria, e reforçaram que o acordo pode ajudar a diversificar mercados europeus em um ambiente de tarifas elevadas impostas por parceiros como os Estados Unidos.

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A fase seguinte envolve votação no Parlamento Europeu, onde coligações voláteis podem influenciar o desfecho, e debates sobre equilíbrio entre oportunidades comerciais e proteção de setores internos devem se intensificar nos próximos meses.

Para a economia brasileira, o acordo poderá ter um efeito já de curto prazo de melhoria nas expectativas de investimento, mas o impacto real no PIB será gradual.

Ainda no curto prazo, setores de mineração e principalmente do agronegócio, como carne, açúcar e suco de laranja, ganham competitividade com cotas e reduções tarifárias progressivas.

Já a indústria de transformação deverá enfrentar o desafio de se modernizar rapidamente para conseguir competir com bens manufaturados europeus, que entrarão no país com custos reduzidos.

CrusoÉ

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