“Convenção do União Brasil encolhe para 48 votos” diz Júlio e acirra guerra entre Jayme e Mauro pelo futuro da sucessão em MT

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A convenção estadual do União Brasil, marcada para o próximo dia 30 de julho, ganhou contornos de uma das mais importantes disputas políticas da história recente de Mato Grosso. O encontro, que definirá o posicionamento da maior legenda do Estado na corrida ao Palácio Paiaguás em 2026, acontece em meio a um profundo racha interno envolvendo duas das principais lideranças do partido: o senador Jayme Campos e o ex-governador Mauro Mendes. O resultado da votação não apenas apontará o rumo do União Brasil, como também poderá alterar toda a composição da base governista para a sucessão estadual.

Às vésperas da convenção, o processo sofreu uma alteração que aumentou ainda mais a tensão entre os grupos políticos. O número de convencionais aptos a votar caiu de 50 para 48. A informação foi confirmada pelo deputado estadual Júlio Campos, que explicou que um dos integrantes do colégio eleitoral perdeu o direito de participar em razão de uma incompatibilidade relacionada ao voto em duplicidade, enquanto outro deixou de integrar a votação após sua desfiliação partidária. Os nomes dos convencionais não foram divulgados, mas a redução torna cada voto ainda mais estratégico em uma disputa que promete ser decidida por margem apertada.

No centro do embate estão dois projetos completamente distintos para o futuro do União Brasil. De um lado, Jayme Campos sustenta que o partido precisa lançar candidatura própria ao Governo de Mato Grosso, defendendo que a legenda possui força política, capilaridade e tradição suficientes para voltar a protagonizar uma eleição majoritária. O senador tem afirmado que abrir mão da candidatura significaria enfraquecer o partido justamente no momento em que o União Brasil se consolidou como uma das maiores forças políticas do Estado.

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No lado oposto está Mauro Mendes, presidente estadual da legenda e principal articulador da base governista. Embora tenha afirmado reiteradamente que a decisão caberá exclusivamente aos convencionais, o ex-governador trabalha politicamente para manter a aliança construída desde 2019 e assegurar que o União Brasil permaneça ao lado do governador Otaviano Pivetta, apoiando sua candidatura ao Governo do Estado. Para Mauro, a continuidade desse grupo representa a preservação de um projeto administrativo que, segundo seus aliados, garantiu estabilidade fiscal, investimentos em infraestrutura e fortalecimento da capacidade de investimento do Estado.

A disputa deixou de ser apenas uma divergência interna e passou a simbolizar o maior racha vivido pelo União Brasil desde sua criação. O confronto também evidenciou divisões dentro da própria base aliada do governo, colocando em lados opostos lideranças que, nos últimos anos, caminharam politicamente unidas. Enquanto Jayme defende independência partidária e protagonismo eleitoral, Mauro busca preservar a composição construída em torno de Pivetta, evitando uma fragmentação que possa favorecer adversários na disputa de 2026.

Nos bastidores, as articulações se intensificaram nas últimas semanas. Integrantes ligados ao grupo de Jayme sustentam que o senador chega à convenção com vantagem entre os convencionais, enquanto aliados de Mauro Mendes afirmam que o cenário permanece aberto e que o diálogo político ainda poderá modificar votos até o momento da convenção. O clima é de intensa movimentação, com reuniões reservadas, conversas individuais e negociações que envolvem não apenas o Governo do Estado, mas também as futuras composições para o Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa.

A antecipação da convenção, anteriormente prevista para agosto e transferida para o dia 30 de julho, foi interpretada como uma tentativa de encerrar rapidamente a disputa interna e oferecer uma definição ao cenário político estadual. A decisão permitirá que o grupo vencedor organize com maior antecedência as alianças partidárias e inicie a construção do palanque eleitoral para 2026.

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Independentemente do resultado, a votação deverá provocar impactos imediatos na política mato-grossense. Caso prevaleça a tese defendida por Jayme Campos, o União Brasil poderá romper oficialmente com o projeto de apoio à candidatura de Otaviano Pivetta, abrindo uma fissura sem precedentes dentro da base governista e alterando significativamente o cenário eleitoral. Se, por outro lado, vencer a posição defendida por Mauro Mendes, o partido consolidará o apoio ao atual governador, fortalecendo a continuidade da aliança política construída nos últimos anos e impondo uma derrota interna ao grupo que defende candidatura própria.

Outro elemento que amplia a importância da convenção é a existência da Federação União Progressista. Uma eventual decisão do União Brasil por candidatura própria, caso não seja acompanhada pelo Progressistas, poderá abrir uma nova frente de discussões dentro da direção nacional da federação, especialmente sobre a condução das estratégias eleitorais em Mato Grosso e a manutenção da unidade entre os partidos federados.

Com apenas 48 convencionais aptos a decidir o futuro da legenda, a convenção deixou de representar apenas uma escolha interna e passou a ser tratada como um verdadeiro divisor de águas para a sucessão estadual. Mais do que definir quem representará o União Brasil nas eleições de 2026, o resultado poderá reorganizar alianças, provocar mudanças profundas na composição da base política do Estado e estabelecer os rumos da disputa pelo comando do Palácio Paiaguás nos próximos anos.

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