Mauro desafia Jayme, confirma protocolo feito há seis dias e avisa: “Federação dará a palavra final; ninguém inventa regra para parar convenção”

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Presidente do União Brasil nega irregularidades, afirma que proposta de apoio a Pivetta seguiu o estatuto e avisa que a definição tomada nas urnas ainda será submetida à Federação União Progressista

O ex-governador Mauro Mendes, presidente estadual do União Brasil, rebateu as contestações apresentadas pelo grupo político do senador Jayme Campos e garantiu que não houve qualquer irregularidade na apresentação da proposta que defende o apoio do partido à reeleição do governador Otaviano Pivetta, do Republicanos. Segundo Mendes, o documento foi protocolado seis dias antes da convenção com um integrante da Executiva estadual, dentro do prazo e respeitando as normas internas da legenda.

A declaração foi dada nesta quinta-feira (30), durante a convenção estadual que decidirá se o União Brasil lançará a candidatura própria de Jayme Campos ao Governo de Mato Grosso ou apoiará o projeto de reeleição de Pivetta. O encontro também delibera sobre candidaturas a deputado estadual, deputado federal, Senado e as demais composições eleitorais da sigla.

O deputado Júlio Campos apresentou um requerimento questionando a prerrogativa de Mauro para defender uma composição com o Republicanos. O parlamentar também alegou que não teria ocorrido, dentro do prazo, o protocolo de um pedido formal de apoio ou coligação.

Mauro reagiu afirmando que o argumento não encontra respaldo no estatuto partidário nem na legislação eleitoral e garantiu que a proposta foi apresentada com antecedência.

“Primeiro, ele está totalmente equivocado. O protocolo foi feito seis dias antes, com um membro da Executiva. Ponto. Então, esse argumento naufraga logo de cara”, declarou.

O presidente estadual do União Brasil também contestou a interpretação de que o Republicanos precisaria apresentar formalmente um pedido de coligação para que o partido pudesse votar uma proposta de apoio a Otaviano Pivetta.

“O Republicanos tem que protocolar um pedido de coligação? De onde ele tirou isso? Procura na lei brasileira, procura no estatuto do partido para ver se tem isso. Ninguém pode inventar uma teoria e querer parar uma convenção com uma regra que ele mesmo inventou”, disparou.

De acordo com Mauro, a convenção não poderia ser conduzida conforme os interesses pessoais dele, de Júlio Campos ou de qualquer outro convencional. O ex-governador sustentou que todos os procedimentos adotados foram fundamentados no estatuto do União Brasil e submetidos previamente à direção nacional da legenda.

“Nós não estamos aqui para fazer a vontade do Mauro Mendes, do Júlio Campos ou de qualquer um dos convencionais. Estamos aqui para fazer uma convenção que segue um rito previsto no estatuto partidário. Estamos amparados pelo estatuto e por um pronunciamento da nacional. Ponto. Por isso a votação continuou”, afirmou.

A resposta de Mauro ocorreu depois que integrantes do grupo ligado a Jayme Campos tentaram questionar a validade da proposta favorável a Pivetta. O ex-governador classificou as contestações como narrativas distantes da realidade e afirmou que qualquer pessoa que considere os procedimentos irregulares poderá recorrer à Justiça.

“Se eu fiz alguma coisa diferente do estatuto, é só ir à Justiça e derrubar. Eu não faço nada que não esteja amparado na legislação e no estatuto do partido. Tive o cuidado de questionar tudo o que estávamos fazendo com a nacional e com o jurídico da nacional, que homologou todos os nossos procedimentos”, sustentou.

Mauro também rebateu as acusações de que teria promovido uma “rasteira” no grupo de Jayme Campos por meio de alterações entre os convencionais habilitados a votar. Para ele, expressões de efeito não substituem a apresentação de fatos ou provas de irregularidades.

“Chavão não funciona comigo, amigo. Tem que dizer o que eu fiz de errado além de seguir o estatuto do partido. Que mudança de convencional? Se eu fiz alguma coisa diferente, é só ir à Justiça. Narrativas que estão distantes da verdade têm muita dificuldade de pegar”, declarou.

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A convenção ocorre em um ambiente de intensa disputa interna. De um lado, Jayme e Júlio Campos defendem que o União Brasil apresente candidatura própria ao Governo do Estado. Do outro, Mauro Mendes trabalha para que a sigla apoie Otaviano Pivetta, mantendo a aliança política construída durante os últimos anos.

A presença de apoiadores de Jayme Campos provocou pressão e momentos de tensão durante a abertura dos trabalhos. Mauro afirmou que o ambiente já era esperado diante da existência de duas propostas concorrentes, mas lamentou comportamentos que considerou desrespeitosos.

“A gente esperava esse ambiente, essa pressão. É normal dentro de um partido quando você tem uma disputa. Algumas pessoas faltam com respeito, com educação e são ignorantes. É lamentável, mas existem na sociedade pessoas com vários tipos de perfil e dentro do partido também. Apesar disso, foi tudo tranquilo. Nada excedeu muito aquilo que já era esperado”, avaliou.

Questionado se a divisão poderia enfraquecer o União Brasil para a campanha eleitoral, Mauro rejeitou a existência de um impasse. Segundo ele, o partido apenas realiza um procedimento democrático para escolher entre duas propostas formalmente apresentadas.

“Qual impasse? Não tem impasse. Existe uma votação em curso, com duas propostas registradas no partido e submetidas à votação de 51 convencionais”, afirmou.

Para Mendes, divergências são naturais dentro de qualquer organização partidária e devem ser resolvidas pelo voto. Ele enfatizou que nem mesmo uma legenda chamada União Brasil está livre de diferentes opiniões e projetos políticos.

“Nós estamos em um partido. Chama-se partido porque representa uma parte da sociedade. Mesmo sendo chamado União Brasil, é natural que dentro dele existam divergências. E é natural que exista uma decisão democrática pelo voto. Vamos decidir pelo voto”, declarou.

Mauro ressaltou, no entanto, que o resultado da convenção do União Brasil representará apenas uma etapa do processo. Como a legenda integra a Federação União Progressista ao lado do Partido Progressistas, a decisão estadual ainda será encaminhada à instância federativa.

“Saindo a decisão daqui, é isso que o partido vai encaminhar para a União Progressista. Essa decisão vai se somar àquilo que o PP deliberou. Quem decide verdadeiramente chama-se União Progressista, porque o União Brasil não está sozinho. Nós estamos em uma federação”, explicou.

A Federação União Progressista deverá analisar conjuntamente as decisões das duas legendas. Uma eventual divergência entre o União Brasil e o PP poderá transferir a palavra final para a direção da federação, inclusive com participação das instâncias nacionais.

Mauro afirmou que somente após o encerramento da votação marcará a reunião da Federação União Progressista. Ele evitou antecipar qual encaminhamento será adotado antes de conhecer oficialmente o resultado das urnas.

“Vamos esperar a decisão de hoje. Saindo a decisão, vou marcar a data da reunião da União Progressista. Eu faço tudo absolutamente dentro das regras. Sou um escravo do estatuto partidário. Não posso desrespeitar essa votação nem antecipar aquilo que farei ou deixarei de fazer antes de ver o resultado”, disse.

Apesar de defender o respeito à decisão dos convencionais, Mauro voltou a declarar que seu apoio pessoal e político permanecerá com Otaviano Pivetta, mesmo diante de uma eventual vitória da proposta que defende a candidatura de Jayme Campos.

“Eu já disse clara e abertamente, e vou repetir quantas vezes forem necessárias: apoio e respeito o senador Jayme. Conversamos várias vezes sobre ele poder ser, talvez, candidato ao Senado. Mas o meu apoio será ao Otaviano Pivetta”, enfatizou.

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O ex-governador justificou sua posição citando a experiência administrativa de Pivetta, que foi prefeito de Lucas do Rio Verde por três mandatos e participou, como vice-governador, da gestão responsável pela recuperação financeira e pela ampliação dos investimentos estaduais.

“Ele tem experiência, foi três vezes prefeito de Lucas do Rio Verde e esteve ao meu lado nessa grande transformação que fizemos em Mato Grosso. Pegamos um Estado quebrado, totalmente quebrado, e o transformamos em um dos estados que mais investem no Brasil”, afirmou.

Mauro também mencionou obras de infraestrutura e a construção dos novos hospitais regionais como exemplos da participação de Pivetta no projeto político iniciado durante sua administração.

“Quando fizemos mais de 7 mil quilômetros de asfalto, ele estava ao meu lado. Quando começamos a construir os hospitais regionais, ele estava ao meu lado. Por isso, estarei ao lado dele para continuar esse grande trabalho que iniciamos em Mato Grosso. Queremos 12 anos de prosperidade e vamos entregar isso com Otaviano Pivetta”, declarou.

O presidente estadual também respondeu às críticas feitas pelo deputado Dilmar Dal Bosco, que questionou a possibilidade de integrantes do União Brasil apoiarem um candidato ao Governo filiado a outro partido.

Para Mauro, Dilmar desconheceu a trajetória da própria legenda ao sugerir que esse tipo de composição seria incompatível com a história partidária.

“O Dilmar foi extremamente equivocado. Ele desconhece a história do próprio partido. Quantas vezes a Arena, o PFL e o próprio partido já apoiaram candidatos de outras legendas? Em várias cidades nós tínhamos candidato a prefeito e pessoas que estão aqui hoje apoiaram candidatos de outro partido”, afirmou.

Mauro classificou a fala de Dilmar como resultado de um momento de desequilíbrio e afirmou esperar que o parlamentar reveja o posicionamento.

“Isso beira o desconhecimento da história do partido em que ele está e de toda a história partidária brasileira. Acho que foi um momento de desequilíbrio e acredito que ele vai se retratar”, disse.

Durante a entrevista, Mauro ainda foi questionado sobre a possibilidade de o deputado federal Fábio Garcia integrar uma futura chapa encabeçada por Pivetta, possivelmente como candidato a vice-governador. Ele elogiou o correligionário, mas afirmou que a escolha caberá exclusivamente ao governador.

“O Fábio é uma pessoa muito preparada. Já foi chefe da Casa Civil, é deputado federal e tem bastante história política. Hoje é o deputado federal que tem mais prefeitos apoiando o seu projeto, pela boa relação e pelo bom trabalho que fez. Mas, de novo, essa decisão é do Otaviano Pivetta”, pontuou.

Ao ser perguntado sobre o apoio do União Brasil à Presidência da República, Mauro evitou antecipar uma posição e disse que aguardará as deliberações nacionais previstas para os próximos dias.

“Vou observar o que o União Brasil vai decidir agora na próxima semana”, respondeu.

Com a continuidade da votação, Mauro sustentou que a tentativa de suspender ou interromper a convenção não tinha base jurídica ou estatutária. Para ele, o requerimento apresentado por Júlio Campos partiu de uma interpretação equivocada sobre a necessidade de protocolo por parte do Republicanos.

O presidente estadual reforçou que a proposta de apoio a Pivetta foi apresentada seis dias antes da convenção, submetida à análise da direção nacional e considerada regular. Por essa razão, segundo ele, os trabalhos prosseguiram e os convencionais puderam votar entre a candidatura própria de Jayme Campos e o apoio ao governador.

“Não estamos fazendo a vontade de uma pessoa. Estamos seguindo o estatuto. Ninguém pode criar uma regra que não existe e querer, com base nela, parar uma convenção”, concluiu Mauro Mendes.

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