Sobrinhos da deputada Coronel Fernanda são alvos da polícia por esquema milionário no TJMT

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Fraude na Conta Única envolve família ilustre, advogados e servidores; rombo pode ultrapassar R$ 21 milhões.

 Quem imaginaria que nomes reluzentes do the elite circle cuiabano — gente da alta granfinagem — seriam despertados, nesta quarta-feira (30), pelo som estridente da sirene da Polícia Civil? Pois é. Aconteceu.

E a surpresa só não foi maior porque jornalistas atentos já haviam farejado, na visita recente de auditores do CNJ ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso, algo muito além de uma cortesia institucional.

A quarta-feira amanheceu tumultuada e carregada para a advocacia e o Judiciário mato-grossense.

Um Judiciário já fragilizado, com três magistrados afastados sob suspeita de venda de sentenças, agora se vê atolado até o pescoço em mais um escândalo: o saque descarado da milionária Conta Única — onde repousam recursos judiciais — por um esquema criminoso que mistura toga, terno, salto alto e colarinho branco.

Coube ao juiz Moacir Tortato a tarefa de autorizar as prisões e buscas contra personalidades ilustres da sociedade cuiabana. Figuras agora estampadas nos noticiários como possíveis membros de um esquema audacioso de desvio de recursos do Poder Judiciário.

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A Operação Sepulcro Caiado, deflagrada pela Polícia Civil com respaldo do CNJ, desnudou uma engrenagem de fraude que envolvia advogados, servidores e empresários.

Entre os alvos, está João Gustavo Ricci Volpato, apontado como líder do grupo.

Ele é genro do desembargador Rubens de Oliveira e casado com Flávia de Oliveira Santos Volpato, filha do magistrado e sobrinha da deputada federal Coronel Fernanda (PL).

João Gustavo, ex-secretário de Habitação da Prefeitura de Cuiabá na gestão de Emanuel Pinheiro, exercia até ontem o cargo de gerente regional da Agência Nacional de Mineração (ANM), indicado pelo governo Lula.

A nomeação teria sido bancada pelo deputado Emanuelzinho (MDB) e pelo ministro da Agricultura Carlos Fávaro (PSD).

Essa nomeação deve ter agradado e muito a bolsonarista coronel Fernanda. Afinal, o nomeado é seu sobrinho por afinidade.

O escândalo envolve ainda um núcleo familiar: Luiza Rios Ricci Volpato (mãe), Augusto Frederico Ricci Volpato (filho), Julia Maria Assis Asckar Volpato (nora), todos listados na operação.

A teia criminosa se valia de empresas, documentos falsos, procurações forjadas e alvarás judicialmente liberados com base em comprovantes de depósito fraudulentos.

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Entre os advogados investigados estão: Régis Poderoso de Souza (irmão de promotor de Justiça e assessor da Assembleia Legislativa), Wagner Vasconcelos de Moraes, Melissa França Praeiro Vasconcelos de Moraes, Themis Lessa da Silva, João Miguel da Costa Neto e Rodrigo Moreira Marinho. O esquema também contava com o envolvimento direto de servidores do TJMT, como Mauro Martins Sanches Júnior e Denise Alonso, responsáveis por manipular planilhas e simular depósitos.

O rombo, até agora, ultrapassa R$ 21 milhões, mas a estimativa é que os danos sejam ainda maiores.

Esclarecimento:
Importante destacar que as investigações não indicam qualquer envolvimento do desembargador Rubens de Oliveira, tampouco da deputada federal Coronel Fernanda.

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