Rombo na Educação pode ultrapassar R$ 70 milhões diz Abilio ao revelar suspeitas sobre responsáveis por compras milionárias na própria gestão: “Quem cometeu eu não posso revelar”

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O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, revelou nesta quinta-feira que a Prefeitura abriu uma ampla investigação para apurar supostas irregularidades milionárias dentro da Secretaria Municipal de Educação. Segundo o gestor, auditorias internas identificaram indícios de aquisições consideradas desnecessárias e possivelmente irregulares, em um montante que pode ultrapassar R$ 70 milhões apenas em materiais didáticos e contratos ligados à pasta.

A declaração foi feita durante a inauguração de um centro de atendimento ao público na Capital. Em entrevista, Abilio afirmou que o caso já mobiliza a Controladoria-Geral do Município, setores de inteligência da administração municipal e auditorias internas, além de encaminhamentos previstos para órgãos de investigação estaduais e federais.

De acordo com o prefeito, as suspeitas surgiram após levantamentos conduzidos pelo controlador-geral do município, Reginaldo, juntamente com equipes responsáveis pelo monitoramento de gastos públicos. Segundo ele, os relatórios preliminares apontaram indícios de compras em grande escala consideradas incompatíveis com a necessidade real da rede municipal de ensino.

Abilio afirmou que o volume das aquisições chamou atenção da equipe técnica e comprometeu parte significativa do orçamento da Educação. Sem citar nomes diretamente, o prefeito declarou que já existem suspeitas sobre possíveis responsáveis pelas autorizações das despesas, mas ressaltou que as investigações ainda estão em andamento.

“Não pode fazer uma aquisição nesse montante de forma equivocada e desnecessária. Foi um absurdo o que aconteceu lá. Estamos investigando se houve orientação da diretoria de ensino ou de alguém dentro da estrutura da Secretaria”, declarou o prefeito.

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O chefe do Executivo municipal explicou que os contratos e aquisições sob análise teriam ocorrido entre os anos de 2025 e 2026, período em que a Secretaria Municipal de Educação era comandada por Amauri Monge. O ex-secretário deixou o cargo em abril deste ano e posteriormente assumiu a coordenação política da campanha do ex-secretário estadual de Educação, Alan Porto, para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

Segundo Abilio, as suspeitas envolvem principalmente a aquisição de materiais didáticos em valores considerados incompatíveis com a realidade da rede pública municipal. O prefeito afirmou que, caso as irregularidades sejam confirmadas, o caso será encaminhado oficialmente para investigação da Polícia Federal, Polícia Civil, Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal e demais órgãos de controle.

A gestão municipal informou ainda que a apuração interna foi intensificada após a identificação de uma “irregularidade gravíssima” dentro da pasta da Educação. Apesar da gravidade das declarações, o prefeito não detalhou quais contratos específicos estão sob suspeita nem quais empresas ou servidores seriam alvos das investigações.

Abilio também fez um apelo público para que servidores da Secretaria de Educação que tenham conhecimento de possíveis irregularidades procurem a Prefeitura e contribuam com as investigações. Segundo ele, a intenção da administração é aprofundar a apuração para identificar se houve direcionamento, superfaturamento, desperdício de recursos públicos ou eventual esquema estruturado dentro da pasta.

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Nos bastidores do Palácio Alencastro, o caso já é tratado como uma das mais delicadas crises administrativas da atual gestão, principalmente porque as suspeitas recaem sobre contratos firmados dentro do próprio governo municipal. A situação também acendeu alerta sobre os impactos financeiros na Educação, já que, segundo o prefeito, o suposto rombo comprometeu parte da capacidade orçamentária da pasta.

A declaração ocorre em meio a uma série de revisões administrativas promovidas pela atual gestão municipal, que vem realizando auditorias internas em diferentes setores da Prefeitura. Nos últimos dias, integrantes da administração passaram a defender maior rigor no controle de contratos públicos e fiscalização de despesas consideradas atípicas.

O caso deve ganhar novos desdobramentos nos próximos dias, com a conclusão dos relatórios técnicos elaborados pela Controladoria-Geral do Município e possíveis encaminhamentos formais aos órgãos de investigação. Até o momento, nenhum servidor ou ex-gestor foi oficialmente indiciado ou responsabilizado pelas suspeitas levantadas pela Prefeitura de Cuiabá.

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