Operação Emenda Oculta desvenda esquema de desvio de dinheiro e coloca irmãos Nascimento no centro da investigação

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Emenda oculta expõe suposto esquema com emendas, dinheiro em espécie e ligação com operação anterior em Cuiabá

Uma nova frente de investigação do Ministério Público de Mato Grosso colocou no centro das apurações dois parlamentares com atuação direta em Cuiabá e no Estado. A Operação Emenda Oculta, deflagrada na manhã desta quinta-feira (30) pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (NACO), avançou sobre o deputado estadual Eliseu Nascimento, do Novo, e o vereador por Cuiabá Cezinha Nascimento, do União Brasil, apontando para um possível esquema de desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares.

As investigações, conduzidas pelo Ministério Público, resultaram no cumprimento de mandados de busca e apreensão contra servidores, empresários e os próprios parlamentares. A apuração indica que recursos destinados a entidades como o Instituto Social Matogrossense (ISMAT) e o Instituto Brasil Central (IBRACI) teriam sido desviados por meio de contratos com empresas privadas. Segundo os indícios levantados, os valores eram repassados a empresas, entre elas a Sem Limite Esporte e Eventos Ltda., que, após receber os recursos, devolveria parte do montante aos agentes responsáveis pelas emendas.

A operação é considerada um desdobramento direto da chamada Operação Gorjeta, deflagrada pela Polícia Civil em janeiro deste ano, que já havia atingido o vereador Chico 2000. Na ocasião, ele foi afastado do cargo por decisão judicial sob suspeita de participação em um esquema de desvio de recursos públicos envolvendo a Câmara Municipal de Cuiabá e a Secretaria de Esporte. As investigações apontaram possíveis práticas de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro, tendo como base contratos firmados com organizações e empresas ligadas ao setor esportivo.

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O afastamento de Chico 2000 ocorreu por determinação do juiz Cássio Leite de Barros Neto, que também autorizou auditorias em emendas parlamentares destinadas a entidades investigadas. Após semanas fora do cargo, o vereador conseguiu retornar às atividades recentemente, mas segue sob investigação. Na mesma operação, também foram alvos o presidente do Instituto Brasil Central, Alex Jones Silva, e o empresário João Neri Chiróli, ligado à empresa Chiróli Uniformes.

A nova fase das investigações ganhou força após a apreensão de um aparelho celular durante a Operação Gorjeta. A análise do conteúdo revelou elementos considerados comprometedores, incluindo registros audiovisuais que, segundo as autoridades, indicariam a participação de agentes públicos no suposto esquema. A partir desse material, o NACO solicitou novas medidas judiciais, que culminaram nas buscas realizadas nesta quinta-feira.

Durante o cumprimento dos mandados na residência de Eliseu Nascimento, foram encontrados cerca de R$ 150 mil em dinheiro em espécie, guardados em um dos cômodos do imóvel. O valor chamou a atenção dos investigadores e passa a integrar o conjunto de elementos analisados no inquérito.

Outro ponto que passou a ser observado pelos órgãos de controle é a evolução patrimonial dos investigados. Dados declarados à Justiça Eleitoral mostram um crescimento expressivo nos bens dos irmãos ao longo dos últimos anos. Eliseu Nascimento, que iniciou sua trajetória política disputando o cargo de vereador em 2012, declarou na época um patrimônio de cerca de R$ 85 mil. Já em 2022, ao buscar a reeleição como deputado estadual, informou bens que somam aproximadamente R$ 577 mil, um aumento superior a 500% em uma década.

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Já Cezinha Nascimento apresentou crescimento patrimonial em intervalo menor. Ele declarou cerca de R$ 190 mil na eleição de 2020 e, em 2024, ao conquistar vaga na Câmara de Cuiabá, registrou patrimônio superior a R$ 450 mil, incluindo imóveis, veículos e valores em conta bancária. Somados, os bens declarados pelos irmãos ultrapassam a marca de R$ 1 milhão.

Apesar das medidas judiciais e da repercussão do caso, até o momento não houve manifestação oficial dos investigados ou de suas assessorias. A reportagem tentou contato com representantes partidários e com os parlamentares, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

A Operação Emenda Oculta segue em andamento e não há, até agora, denúncia formal apresentada à Justiça. O Ministério Público reforça que as investigações ainda estão em fase de coleta de provas e que todos os citados têm direito ao contraditório e à ampla defesa. Enquanto isso, o caso amplia o cerco sobre o uso de emendas parlamentares em Mato Grosso e reforça o debate sobre transparência e controle na destinação de recursos públicos.

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