EFEITO LULA: Xi ignora pedido de Trump para comprar mais soja e fortalece laços com Lula

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Em mais um movimento que mistura política externa com encenação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou suas redes sociais no último domingo (10) para fazer um apelo direto ao líder chinês, Xi Jinping: quer que Pequim quadruplique as compras de soja estadunidense.

O gesto, pouco ortodoxo e distante dos protocolos básicos da diplomacia — algo levado muito a sério por Pequim —, não teve até agora qualquer resposta oficial da China. As chances de Xi atender ao pedido são mínimas, para não dizer nulas.

O cenário joga contra Washington: a China, maior importadora de soja do mundo, ainda não adquiriu antecipadamente a safra estadunidense que será colhida, uma situação incomum que já preocupa agricultores e traders dos EUA às vésperas da temporada de exportações.

Fator Lula

O Brasil é hoje o principal fornecedor de soja para a China. Por isso, a mensagem pública de Trump a Xi Jinping também carrega um recado indireto a Lula, especialmente no contexto do tarifaço de 50% imposto por Washington a produtos brasileiros.

Diplomacia chinesa ignora pedido de Trump

Na coletiva de imprensa do Ministério das Relações Exteriores da China desta terça-feira (12), o porta-voz Lin Jian evitou responder diretamente ao apelo de Trump. Limitou-se a declarar:

O que Pequim já disse sobre o assunto

Em 29 de julho, após negociações econômicas e comerciais realizadas em Estocolmo, o vice-ministro do Comércio da China, Li Chenggang, afirmou que Pequim e Washington tiveram “trocas aprofundadas, francas e construtivas” e concordaram em prorrogar a suspensão de 24% das tarifas recíprocas, bem como das contramedidas chinesas.

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A trégua tarifária, que venceria nesta terça-feira (12), foi estendida por mais 90 dias, mantendo suspensos 24 pontos percentuais das tarifas e restando um adicional de 10% sobre os produtos afetados. A China também retirou ou suspendeu contramedidas contra empresas norte-americanas.

O gesto fortalece a relação com base em igualdade e reciprocidade, mas ainda é limitado. Na visão de analistas internacionais, o ideal seria eliminar totalmente as tarifas, conforme as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), para dar mais estabilidade ao comércio bilateral.

Mercado de soja e disputa geopolítica

Em 2024, a China importou um volume recorde de 105 milhões de toneladas de soja, reforçando sua posição como o maior comprador mundial do grão. O Brasil foi o principal fornecedor, com mais de 74 milhões de toneladas, seguido pelos Estados Unidos, que venderam cerca de 23 milhões para o mercado chinês.

Apesar da participação menor, os EUA ainda disputam espaço com o Brasil, especialmente em anos de menor oferta brasileira ou quando há estímulos comerciais vindos de Washington.

Para 2025/26, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima que a safra do país chegue a 117,9 milhões de toneladas, com produtividade média de 3,56 toneladas por hectare.

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No entanto, o cenário de exportações para a China está complicado. As tarifas retaliatórias impostas por Pequim fizeram as vendas estadunidenses caírem mais de 39% neste ano, reduzindo a entrada de dólares e aumentando os estoques internos. Isso pressiona os preços para baixo e eleva as dificuldades financeiras dos produtores, que ainda enfrentam custos crescentes com fertilizantes e combustíveis.

Os pequenos agricultores são os mais vulneráveis. Quando ocorreu a primeira guerra comercial entre EUA e China, em 2018 e 2019, Washington liberou US$ 27 bilhões para compensar o setor. Mas boa parte desses recursos foi parar nas mãos das grandes corporações do agronegócio, deixando os menores com pouco fôlego para lidar com crises prolongadas.

Hoje, a disputa pelo mercado chinês de soja é um elemento central da política agrícola e comercial dos Estados Unidos — e, ao mesmo tempo, um ponto de atrito direto com o Brasil.

A recusa velada de Pequim ao pedido de Trump e a aproximação cada vez mais estreita entre Lula e Xi reforçam uma tendência clara no tabuleiro global: a China tem priorizado alianças estratégicas no Sul Global, enquanto os EUA veem seu espaço de influência encolher nas negociações comerciais e políticas.

A soja, nesse contexto, é apenas a ponta visível de uma disputa muito maior, que envolve poder, mercado e a redefinição da ordem internacional.

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