PMs cobravam juros de até 50% e usavam tortura para cobrar vítimas, diz Gaeco

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O grupo de policiais militares alvo da Operação Fides Fracta, deflagrada na manhã desta quarta-feira (26) pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), cobrava juros de até 50% ao mês em empréstimos concedidos a vítimas de agiotagem. A cobrança era realizada mediante graves ameaças e até tortura.Os investigados também faziam empréstimos a outros colegas de farda com uma taxa de “juros simbólica” de 15%. A informação foi confirmada, nesta quarta (26), pelo delegado do Gaeco, Hércules Batista Gonçalves, durante coletiva de imprensa no auditório da Procuradoria-Geral de Justiça.

“Uma busca ao lucro a todo custo com o emprego de todos os meios para concepção de todos os objetivos da organização que era uma elevação patrimonial absurda, exponencial, que chegou a patamares e movimentações milionárias… Era empregado violência e grave ameaças contra as vítimas”, detalhou Hércules.

Ele relatou um episódio em que uma das vítimas foi torturada por vários integrantes do grupo para que devolvesse uma quantia em dinheiro. Não há confirmação se o ato de violência foi filmado pelos suspeitos.

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“A investigação demonstra que eles praticaram crime de extorsão. Tem vários registros de ocorrência e estão juntados no inquérito policial. Além do crime de extorsão tem também a tortura”, completou o delegado.

As investigações apuraram ainda que os PMs tinham ajuda de parentes e amigos próximos para fazer o branqueamento do capital obtido pelas extorsões e outras atividades ilícitas. Além disso, haviam também cobradores que prestavam o serviço aos militares.

“Os militares empenhoravam bens das vítimas, cheques , joias e passavam a extorquir as vítimas por meio de cobradores”, destacou o delegado.

Operação Fides Fracta

A Operação Fides Fracta foi deflagrada nesta quarta-feira (26) pelo Gaeco contra uma organização criminosa formada por policiais militares que atuavam na região metropolitana de Cuiabá, em Várzea Grande e também em Goiânia (GO). Eles são investigados por crimes como agiotagem, extorsão, falsificação de documentos, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.

A apuração teve início em 2021 na Corregedoria da Polícia Militar, após a identificação de uma evolução patrimonial incompatível com os rendimentos de um ex-militar, identificado como T.A.S. A partir disso, o caso foi encaminhado ao Gaeco, que identificou outros policiais e pessoas associadas ao grupo.

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Ao todo, são cumpridos 28 mandados de busca e apreensão e 22 mandados de sequestro de bens. A operação mira 24 investigados, entre eles nove policiais militares, sendo dois deles aposentados e um exonerado.

As ordens judiciais incluem sequestro de bens, busca e apreensão e bloqueio de valores de até R$ 1 milhão por investigado.

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