Deputado estadual Júlio Campos afirmou, em entrevista ao
site Mato Grosso, que solucionar a histórica crise no
abastecimento de água de Várzea Grande em apenas 90
dias de governo seria um verdadeiro “milagre”. Segundo o
parlamentar, o problema enfrentado pela população é resultado de
décadas de falta de investimentos na rede de distribuição e não
apenas da produção de água tratada. A declaração ocorre em meio
ao debate sobre a possível concessão dos serviços do
Departamento de Água e Esgoto (DAE) à iniciativa privada e às
discussões sobre a sucessão do Governo de Mato Grosso em 2026.
De acordo com Júlio Campos, a principal deficiência do sistema de
abastecimento está na infraestrutura da rede. O deputado explicou que
os canos são antigos, estreitos e incapazes de suportar o aumento da
pressão necessária para atender toda a cidade. Conforme relatou,
quando um maior volume de água é lançado na tubulação, os
rompimentos se tornam frequentes, provocando desperdícios e
interrupções no fornecimento.
O parlamentar destacou ainda o crescimento acelerado de Várzea
Grande nas últimas décadas. Segundo ele, a população passou de
aproximadamente 200 mil para mais de 315 mil habitantes em um
período de cerca de dez anos, o que ampliou significativamente a
demanda pelos serviços públicos. Para Júlio Campos, a expansão
urbana ocorreu sem que a infraestrutura acompanhasse esse
desenvolvimento.
Durante a entrevista, o deputado voltou a defender a concessão dos
serviços do DAE à iniciativa privada. Na avaliação dele, somente uma
empresa com grande capacidade de investimento teria condições de
aplicar mais de R$ 1 bilhão na modernização da rede de distribuição,
substituindo tubulações antigas e ampliando a capacidade do sistema
para atender toda a população de forma eficiente.
Outro ponto abordado foi a distribuição da arrecadação do Imposto
sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) entre os
municípios mato-grossenses. Júlio Campos afirmou que Várzea
Grande contribui significativamente para a economia estadual por meio
do comércio, da indústria e da prestação de serviços, mas recebe um
retorno financeiro inferior ao que considera justo. Segundo ele, a
prefeita Flávia Moretti solicitou apoio da Assembleia Legislativa para
discutir mudanças na legislação que define os critérios de repartição
desses recursos.
Na avaliação do deputado, a atual legislação de distribuição do ICMS
foi criada em um contexto diferente do atual e precisa ser atualizada
para refletir a nova realidade econômica do Estado. Ele argumenta
que municípios da Baixada Cuiabana, especialmente Cuiabá e
Várzea Grande, estariam sendo prejudicados pelos critérios
atualmente adotados, defendendo uma revisão da norma para
garantir maior equilíbrio entre arrecadação e repasses.
Questionado sobre o cenário político para as eleições de 2026, Júlio
Campos afirmou que seu candidato continua sendo o senador Jayme
Campos, cuja candidatura ainda depende das definições internas do
partido. No entanto, declarou que, caso o governador Otaviano
Pivetta consiga solucionar a crise do abastecimento de água de
Várzea Grande nos primeiros meses de um eventual mandato, fará
um reconhecimento público do resultado, classificando a conquista
como algo extraordinário diante da complexidade do problema.
As declarações reforçam que a crise hídrica de Várzea Grande
permanece entre os principais desafios da administração pública
municipal e do debate político em Mato Grosso. Enquanto a discussão
sobre a concessão do DAE e a revisão da distribuição do ICMS
avança, a expectativa da população continua voltada para soluções
definitivas que garantam abastecimento regular e investimentos
estruturais capazes de acompanhar o crescimento da cidade.
























