PF aponta deputado como elo financeiro de magistrado em esquema de corrupção no Judiciário de MT

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PF aponta movimentação milionária e suposto esquema de venda de sentenças envolvendo desembargador e deputado em Mato Grosso

A Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta segunda-feira (8), revelou novos detalhes sobre um suposto esquema de corrupção e comercialização de decisões judiciais que teria operado dentro da estrutura do Judiciário mato-grossense. Entre os alvos da investigação estão um desembargador afastado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e um deputado estadual apontado pelos investigadores como peça-chave na movimentação financeira do grupo.

De acordo com a Polícia Federal, as apurações tiveram origem a partir da análise de dados extraídos de aparelhos celulares, cruzamento de informações bancárias, relatórios de inteligência financeira e compartilhamento de dados com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O conjunto de provas reunidas indica a existência de uma estrutura considerada sofisticada para ocultação patrimonial e circulação de recursos de origem suspeita.

Segundo os investigadores, o magistrado utilizaria um operador de sua absoluta confiança — identificado como advogado e parlamentar estadual — para atuar como intermediário na captação e movimentação de recursos supostamente provenientes da negociação de decisões judiciais. A atuação desse operador incluiria o recebimento de valores, pagamento de obrigações familiares e realização de transações imobiliárias envolvendo terceiros, numa tentativa de conferir aparência de legalidade às operações financeiras.

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A Polícia Federal afirma que o aprofundamento da investigação bancária revelou uma movimentação financeira paralela considerada incompatível com as justificativas apresentadas pelos investigados. Os levantamentos apontam a circulação de mais de R$ 3,2 milhões em depósitos e saques em dinheiro vivo, além de transferências sem comprovação documental ou respaldo comercial identificado até o momento.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a existência de repasses financeiros oriundos de empresas ligadas ao agronegócio que, simultaneamente, possuíam disputas judiciais relacionadas a questões fundiárias em tramitação no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. A suspeita é de que parte desses recursos possa estar relacionada à obtenção de decisões favoráveis dentro da Corte.

Conforme a PF, o esquema funcionaria de forma integrada, com divisão de tarefas entre os envolvidos. Enquanto um dos investigados exerceria influência direta no âmbito das decisões judiciais, outro atuaria na esfera financeira, sendo responsável pela captação dos recursos, ocultação patrimonial e movimentação de ativos considerados suspeitos.

O nome da operação, Gemini — palavra de origem latina que significa “gêmeos” — foi escolhido em referência à forma como os investigadores identificaram a relação entre os supostos operadores do esquema. A denominação também simboliza a atuação paralela e complementar atribuída aos investigados, que teriam desempenhado funções distintas, mas interligadas, dentro da estrutura investigada.

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Durante a operação, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão, afastamento de sigilos bancário, fiscal e telemático, além de outras medidas cautelares autorizadas pela Justiça. Imagens divulgadas pela corporação mostram a apreensão de armas de fogo, munições, relógios de luxo, canetas de alto valor comercial e documentos que passarão por perícia.

As investigações seguem em andamento e buscam identificar a extensão do suposto esquema, bem como a participação de outros possíveis envolvidos. Os alvos terão oportunidade de apresentar suas versões dos fatos ao longo do processo. Até o momento, a Polícia Federal não divulgou o valor total que teria sido movimentado na suposta rede de corrupção nem quantas decisões judiciais estariam sob suspeita.

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