“Vai ser pau na moleira”: Júlio Campos avisa que Mauro pode ser barrado na convenção se tentar impedir candidatura de Jayme ao governo “Essa gente não lê estatuto“

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A disputa interna no União Brasil de Mato Grosso ganhou contornos ainda mais duros nesta semana. Um dos principais articuladores da pré-candidatura do senador Jayme Campos ao Governo do Estado, o deputado estadual Júlio Campos afirmou que o governador Mauro Mendes corre o risco de não ter sua candidatura ao Senado homologada caso tente inviabilizar o projeto político liderado pelo próprio irmão dentro do União Brasil.

Em declarações contundentes, Júlio afirmou que a decisão final sobre as candidaturas não pertence a nenhuma liderança isolada, mas aos convencionais da legenda. Segundo ele, o grupo que defende candidatura própria ao governo possui atualmente cerca de 35 dos 52 convencionais do partido, número considerado suficiente para influenciar decisivamente o resultado da convenção.

Ao comentar a possibilidade de Mauro Mendes atuar para impedir a candidatura de Jayme Campos ao Palácio Paiaguás e manter o apoio ao vice-governador Otaviano Pivetta, Júlio foi direto ao afirmar que o governador precisará primeiro conquistar o apoio da base partidária para ter seu nome aprovado ao Senado.

“Se ele insistir em querer prejudicar a candidatura do Jayme, ele não será homologado candidato ao Senado pelo União Brasil”, afirmou o parlamentar.

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Em outro momento, Júlio elevou ainda mais o tom ao dizer que Mauro Mendes enfrentará forte resistência dentro do partido caso tente impor sua vontade sobre a convenção.

“Ele vai ter pau na moleira com a gente. Ele não tem maioria do diretório”, disparou.

A fala escancara uma disputa que até então ocorria principalmente nos bastidores. Enquanto Mauro Mendes e parte da base governista trabalham pela consolidação da candidatura de Otaviano Pivetta ao Governo do Estado, o grupo liderado pelos Campos defende que o União Brasil lance candidatura própria, tendo Jayme como principal nome.

Júlio também rebateu a interpretação de que Mauro Mendes teria caminho livre para disputar o Senado. Segundo ele, o estatuto partidário exige que qualquer candidatura seja aprovada pela convenção, independentemente do peso político do interessado.

“O partido precisa homologar seus candidatos. Não basta alguém chegar dizendo que será candidato. Existe estatuto, existe convenção e existe votação”, ressaltou.

O deputado explicou ainda que a convenção do União Brasil deverá reunir 52 convencionais e poderá ser realizada por aclamação apenas se houver consenso. Caso surjam mais de um pré-candidato para os cargos majoritários, a decisão será submetida ao voto dos delegados partidários.

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As declarações ocorrem em meio à formação da federação entre União Brasil e Progressistas, que recentemente criou uma comissão para conduzir as negociações eleitorais de 2026. Apesar da aproximação entre as siglas, Júlio fez questão de destacar que cada partido continuará realizando sua própria convenção antes das definições conjuntas da federação.

Segundo ele, o União Brasil tem força política suficiente para reivindicar protagonismo na composição da chapa majoritária, citando a estrutura partidária, a bancada estadual e a representação nacional da legenda.

Com pouco mais de um ano para o início oficial do processo eleitoral, a entrevista de Júlio Campos mostra que a disputa pela sucessão de Mauro Mendes está longe de um consenso. Pelo contrário, a convenção do União Brasil já é vista por lideranças da própria legenda como o principal campo de batalha que definirá quem terá o comando do grupo governista em 2026.

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