A sucessão ao governo de Mato Grosso em 2026 avança com um cenário cada vez mais fragmentado e com forte tendência de definição em segundo turno, conforme apontam pesquisas recentes e as articulações políticas em curso. Dentro do União Brasil, principal partido da base governista, o debate envolve lideranças como Mauro Mendes, Otaviano Piveta, o senador Jayme Campos e o deputado estadual Júlio Campos.
A sinalização de Mauro Mendes de que deve deixar o cargo até o fim de março para viabilizar a ascensão de Otaviano Piveta ao comando do Estado é interpretada como parte da estratégia de consolidação de uma candidatura governista, ao mesmo tempo em que o atual chefe do Executivo se projeta para disputar o Senado. A movimentação ocorre em paralelo à pré-candidatura de Jayme Campos, que também busca espaço dentro do União Brasil.
Levantamento do instituto Real Time Big Data, realizado entre os dias 21 e 23 de março de 2026, indica um cenário competitivo. No principal cenário estimulado, o senador Wellington Fagundes aparece na liderança com 37% das intenções de voto, seguido por Otaviano Piveta com 22% e Jayme Campos com 20%, configurando empate técnico na segunda posição.
Os dados também reforçam a possibilidade de segundo turno. Em simulações, há disputas equilibradas, como entre Piveta e Jayme Campos, que aparecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro.
Outro fator relevante para a análise do cenário eleitoral é o índice de rejeição dos pré-candidatos, considerado um dos principais elementos de viabilidade em disputas de dois turnos. Segundo o mesmo levantamento, Jayme Campos lidera a rejeição, com 47% dos entrevistados afirmando que não votariam nele de forma alguma. Em seguida aparecem Otaviano Piveta, com 29%, e Wellington Fagundes, com 25%.
Os números indicam um cenário de forças distribuídas, em que nenhum dos principais nomes combina, ao mesmo tempo, alta intenção de voto e baixa rejeição. Enquanto Wellington Fagundes lidera com vantagem no primeiro turno e apresenta rejeição menor em comparação aos adversários, Jayme Campos aparece competitivo na intenção de voto, mas com alto índice de resistência do eleitorado. Já Otaviano Piveta apresenta um perfil intermediário, com crescimento nas intenções de voto e rejeição moderada.
No caso de Piveta, analistas políticos avaliam que a eventual assunção ao governo tende a ampliar sua exposição, o que historicamente pode impactar tanto positivamente quanto negativamente seus índices, especialmente no que se refere à rejeição. Governos em exercício, ao mesmo tempo em que ampliam visibilidade e estrutura, também ficam mais suscetíveis ao desgaste administrativo.
Já Wellington Fagundes, apesar de liderar os cenários, também apresenta um patamar relevante de rejeição, o que pode se tornar um fator determinante em um eventual segundo turno, onde a transferência de votos e alianças tende a pesar mais do que a liderança isolada no primeiro turno.
Nesse contexto, o deputado Júlio Campos afirmou que a presença de Jayme Campos na disputa altera diretamente o desenho eleitoral. Segundo ele, a candidatura do senador contribui para levar a eleição ao segundo turno. “Empurra a eleição para o segundo turno e, chegando lá, ninguém vence sem ele”, declarou.
A leitura se sustenta na configuração atual das pesquisas, que indicam divisão do eleitorado entre diferentes polos políticos e ausência de um candidato com maioria consolidada. Além disso, o histórico político da família Campos em Mato Grosso, com presença contínua em cargos estratégicos desde a década de 1980, é apontado por aliados como um fator de influência na formação de alianças.
Enquanto isso, o União Brasil segue dividido entre dois projetos: o grupo alinhado ao governador Mauro Mendes, que apoia a candidatura de Otaviano Piveta, e a ala que defende a candidatura própria de Jayme Campos. A divergência também atinge a base parlamentar e se reflete na dificuldade de organização das chapas proporcionais.
Com múltiplos pré-candidatos competitivos, índices relevantes de rejeição e ausência de um nome dominante, o cenário eleitoral de Mato Grosso caminha para uma disputa aberta, em que o segundo turno tende a se consolidar como etapa decisiva para a definição do próximo governador.
























