Moradores de áreas invadidas na região da Avenida Contorno Leste, em Cuiabá, realizam uma manifestação na manhã desta segunda-feira (15) na porta da Prefeitura. Eles pedem que o prefeito Abílio Brunini (PL) não permita a retirada das famílias do local, avaliado em cerca de R$ 20 milhões. Com cartazes e palavras de ordem, os manifestantes cobraram alternativas habitacionais e criticaram a determinação judicial que estabeleceu prazos para desocupação da área onde vivem.
Segundo a decisão da 2ª Vara Cível – Vara Especializada de Direito Agrário de Cuiabá, assinada pela juíza Adriana Sant’Anna Coningham, os moradores têm até 27 de outubro de 2025 para deixar voluntariamente o imóvel. Caso contrário, o mandado de reintegração de posse será cumprido a partir de 28 de outubro, inicialmente na área doada pelo espólio de João Pinto. Um levantamento da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), mostra que pelo menos 172 famílias são consideradas vulneráveis e residem na área. Entre os manifestantes estão imigrantes venezuelanos e peruanos, além de muitas crianças e idosos.
Em conversa com a reportagem, Adriana, moradora da área, afirmou que permanecerá no local até que o prefeito receba os ocupantes: “Até o prefeito descer. Ele tem que resolver. Se ele não descer, nós vamos ficar até ele descer. Ele vai ter que aparecer. Ali tem 2.500 famílias. Ele tá querendo dar terreno só para 700 famílias. Não é como ele tá pensando”, disse.
Outra moradora, imigrante venezuelana, relatou as dificuldades enfrentadas por estrangeiros em Cuiabá:“A gente veio aqui porque estamos precisando de moradia. A gente é estrangeiro, é da Venezuela e não tem a mesma prioridade que os brasileiros. Tem muita dificuldade para nós, a gente quer moradia”, contou.
A moradora também destacou a vulnerabilidade das famílias e a falta de alternativas de moradia: “Foi tão difícil para a gente construir, para a gente lutar, construir a nossa casa. Não tenho lugar para onde ir, não tenho família aqui em Cuiabá, não tenho ninguém. Se chegarem para nos expulsar, não tenho para onde correr”, afirmou.
O representante dos moradores, explicou que a mobilização é uma forma de chamar atenção para o direito à moradia, que já havia sido prometido pelo prefeito em audiência pública na Câmara Municipal: “Essa movimentação partiu da diretoria da associação que representa os ocupantes para protestar pelo direito de moradia e chamar a atenção do prefeito, que garantiu apoio ao Contorno Leste, a maioria das pessoas que moram ali são trabalhadores”, disse.
A Prefeitura de Cuiabá, por meio de assistentes sociais, informou que as famílias estão sendo cadastradas para participação em programas habitacionais, como o Casa Cuiabana. Segundo a assistente social ouvida pela reportagem, a realocação das famílias será feita em outra área, já que a retirada do Contorno Leste é uma determinação judicial de reintegração de posse.
“Estamos fazendo a realocação deles, porque a decisão de sair de lá foi uma decisão judicial. Ali é uma área de propriedade privada. Estamos organizando a área para começar a realocação. Todas as pessoas que realmente moram lá estão sendo cadastradas. Só não será realocado quem não mora, porque encontramos muitas casas vazias”, explicou a servidora.
Ainda de acordo com a Prefeitura, os cadastros das famílias estão em andamento e o município garante que ninguém será desamparado ou desabrigado durante o processo de realocação.



































